INÍCIO POLITICA Caso Zamora Induta
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Quinta, 29 Julho 2010 11:07

PR defende decisão judicial

 

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá defende que os detidos na sequência da intervenção militar de 01 de Abril serão levados à justiça e que o general António Indjai vai continuar a ser Chefe das Forças Armadas.

 "As pessoas que estão detidas, estão a espera da Justiça, aí não posso fazer nada. Há órgãos competentes da Justiça encarregues de levar a cabo este processo", disse Malam Bacai Sanhá.

O Presidente guineense foi instado a comentar os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau, nomeadamente a detenção do ex-chefe das Forças Armadas Zamora Induta e a nomeação do tenente-general António Indjai para a chefia dos militares.  

 Sobre a libertação de Zamora Induta, exigida, entre outras organizações, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, o chefe de Estado guineense disse não poder fazer nada antes de uma decisão judicial. Já sobre à controversa nomeação de António Indjai, Bacai Sanhá afirmou ser um assunto encerado.

 "Aí não há discussão. O António Indjai vai continuar ali. Eu penso que o António Indjai poderá vir a surpreender muita gente em termos de pontualidade na execução do programa da reforma (do sector de Defesa e Segurança) ", considerou o chefe de Estado guineense.
 
Instado a comentar as reservas de vários países e organizações internacionais em relação à nomeação de António Indjai para a chefia das Forças Armadas guineenses, dado que foi o protagonista da intervenção militar de Abril, Bacai Sanhá voltou a frisar que foi uma decisão soberana que não pode ser questionada.

As reservas caíram porque a nomeação de António Indjai ninguém pode pô-la em causa.

É um acto soberano de um chefe de Estado de um Estado soberano. Pode-se criticar nos corredores, dizer que não seria a pessoa indicada, mas está nomeado, está nomeado. Ponto final", observou Malam Bacai Sanhá.

Em relação ao futuro, mesmo com as críticas de países e organizações que apoiam a Guiné-Bissau, o chefe de Estado guineense disse esperar que muitos venham a mudar a sua opinião e voltar atrás com as promessas de cancelamento das ajudas.
 
"Vamos continuar a contar com os apoios da comunidade internacional. A União Africana já está disponível, a CEDEAO. Eu penso que a União Europeia, os Estados Unidos da América vão acabar por estar de acordo", afirmou o Presidente guineense.  

Malam Bacai Sanhá disse ainda que está convicto dessa mudança de posição, sobretudo pela ajuda que Portugal está a dar e continuará a dar à causa guineense no seio da comunidade internacional, bem como as ajudas de Angola e da Líbia.  

"Nós contamos, nesse aspecto com o apoio que Portugal poderá dar, ou tem estado a dar. Angola, não é de admirar, é um país irmão da Guiné-Bissau. É o caso da Líbia e mais outros países", frisou Bacai Sanhá.  

"Estamos muito encorajados, contrariamente àquilo que muita gente pensava que a Guiné-Bissau iria ficar abandonada. Não. As pessoas compreenderam que abandonando a Guiné-Bissau, não estariam a contribuir para o desenvolvimento e bem-estar do povo", afirmou o chefe de Estado guineense.

"A melhor maneira é continuar ao lado das instituições legítimas do povo e apoiá-las para que consigam levar avante o programa que temos", defendeu Sanhá.

 

Situação do então CEMGFA será decidida na justiça

 

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, afirmou  que também está interessado no esclarecimento da situação do seu antecessor, Zamora Induta, mas a decisão da sua libertação ou não será da justiça.

Esta posição do tenente-general António Indjai foi transmitida aos jornalistas pelo vice-presidente e porta-voz do Movimento da Sociedade Civil a saída de uma audiência que mantiveram esta terça-feira com o chefe das Forças Armadas guineenses.
“O chefe do Estado-Maior (das Forças Armadas) garantiu-nos que a situação está a nível da justiça, mas que também ele pretende ver esta situação esclarecida o mais breve possível”, afirmou Mamadu Queitá.
A delegação do Movimento da Sociedade Civil (plataforma que reagrupa mais de 100 organizações) reuniu-se com o general António Indjai e os seus colaboradores para lhes transmitir a posição de que os militares devem submeter-se ao poder civil e não protagonizar mais situações que possam colocar em causa a paz social.
“Manifestámos a vontade de ver o Chefe do Estado-Maior a contribuir para a estabilidade político-institucional. Sabemos que os militares foram responsáveis em várias situações de crise que assolaram o país. Toda a chefia militar esteve presente no encontro. Todos manifestaram vontade de se submeterem ao poder civil e de cumprir com a missão constitucional que têm”, disse Mamadu Queitá.
“Outra situação que abordámos com o Chefe do Estado-Maior foi a questão dos detidos, não só os do caso 1 de Abril, mas também os do caso 2 de Março (de 2009). Sobre estes fizemos ver que já lá vão mais de 12 meses sem acusação formal. Manifestámos a nossa preocupação, queremos ver a situação dessas pessoas definidas”, indicou o porta-voz do Movimento da Sociedade Civil guineense.
“Constatámos que o Chefe do Estado-Maior está com vontade de ver esclarecida a situação do Zamora Induta e de outros detidos”, frisou Mamadu Queitá, lembrando que António Indjai disse que tudo terá que ser decidido a nível da justiça.
O porta-voz da sociedade civil afirmou que a organização pretende pedir uma audiência nos próximos dias com o Procurador-geral da República, Amine Saad, para falar da questão dos detidos.
“Desde o conflito armado de 1998, as Forças Armadas têm sido os protagonistas das crises no país, obviamente que devemos chamar a atenção dos seus responsáveis”, disse.
“A nossa exortação vai no sentido de chamar a atenção do Chefe do Estado-Maior enquanto estiver à frente dos militares que paute o seu comportamento no sentido de poder contribuir para que as Forças Armadas não voltem a criar situações que coloquem em causa a paz e a estabilidade”, indicou Mamadu Queitá, quando justificava o motivo da reunião com o general António Indjai.
Indjai foi o protagonista da intervenção militar de 1 de Abril, que levou à deposição e detenção de Zamora Induta da chefia das Forças Armadas e que continua detido desde então.

António Indjai foi entretanto nomeado chefe dos militares, o que motivou críticas da comunidade internacional, nomeadamente dos EUA, que anunciaram o fim do apoio à reforma do sector de defesa e segurança, e da União Europeia, que manifestou a intenção de rever todos os acordos com a Guiné-Bissau.
Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU pediu na semana passada a libertação “imediata” de Zamora Induta. O presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, havia dito em Campala, capital do Uganda, à margem da cimeira da União Africana (UA), que Induta deve ser apresentado à Justiça.


 

Actualizado em Quinta, 29 Julho 2010 12:21
 
 

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